No ano que se comemora 11 anos da promulgação da Lei 11.340/06, a Lei Maria da Penha, que teve esse nome em homenagem a Maria da Penha Maia Fernandes, que viveu dentro da sua casa, de seu marido, os mais diversos tipos de violências, desde as agressões físicas, intimidações e tortura psicológicas. Sempre teve medo de denunciar, pois acreditava que se as fizesses sofreria ainda mais e temia pela sua vida e pelas filhas.

Mas a história da Maria da Penha, não é diferente de milhares de mulheres que ainda hoje depois de toda as proteções advindas da própria Lei 11.340/06, e pela evolução que passamos e conquistamos de outras Leis em favor das mulheres, bem como a Lei de Divórcio que fez 40 anos este ano, não são suficientes para coibir as agressões que ainda são estatísticas em nosso país.

A violência está se iniciando cada vez mais cedo, algumas mulheres foram assassinadas pelos seus namorados, e por um curto período de relacionamento, de formas cruéis e motivos fúteis. Pessoas abusivas são frequentemente, elas mesmas, sobreviventes de abuso. O comportamento abusivo pode variar desde o abuso emocional, verbal, até o físico e sexual. Frequentemente uma pessoa abusiva emocionalmente é também abusiva verbalmente ou uma combinação de todos os tipos acima.

Toda vez que houver algum tipo de violência, ou ameaça, deve ser denunciado para que evite-se novas agressões. Para isto é preciso procurar a Delegacia Especializada da Mulher e registrar a agressão ou a ameaça, a Lei diz que neste momento a autoridade policial deverá, orientar a mulher de seus direitos, garantir-lhe proteção, encaminhar a atendimento médico, acompanhá-la para a recolher seus pertences da residência, e ainda em caso de risco de vida, fornece transporte para abrigo seguro.

Após registrado a denúncia, isto é fazer o Boletim de Ocorrência, terá a mulher 6 (seis) meses após a agressão, para então representar o agressor, não basta apenas registrar o B.O é preciso representar diante a autoridade policial, ou através de advogado que encaminhará petição dirigida ao Juiz, neste pedido então será requerido a medida protetiva e o processo será encaminhado ao Juízo.

Dependendo do tipo da violência, por exemplo a física, a mulher será encaminhada para o IML – Instituto Médico Legal para realização do exame de corpo de delito, no ato do registro do Boletim de Ocorrência, para verificar o grau da lesão.

A Medida Protetiva de Urgência, é para que o agressor se mantenha afastado da mulher, atingindo inclusive os filhos e outros familiares. Se houver flagrante da violência, autuado pela autoridade policial, é possível ser decretada a prisão preventiva, conforme artigo 324, IV do Código do Processo Penal.

Mas a prisão preventiva é em último caso, sendo que é dado ao agressor, a oportunidade de cumprir a medida protetiva e aguardar o julgamento da ação penal em andamento em liberdade. A prisão poderá ocorrer se o agressor não respeitar a ordem de afastamento e tal descumprimento deve ser noticiado no processo ou então na própria delegacia.

Importante ressaltar que uma vez registrado e representado a violência, a desistência só poderá ser feita diante o Promotor de Justiça, que ouvirá os motivos pelos quais a vítima pretende desistir, sem a presença do agressor, essa medida é para coibir que haja desistências motivadas por outras violências.

Procure a Delegacia Especializada da Mulher para orientações e denúncias, não se cale!!!

Agora você já sabe mais sobre a aplicação da Lei Maria da Penha nos relacionamentos abusivos. Mas, caso tenha ficado alguma dúvida, não deixe de me mandar um e-mail (contato@amgadvocacia.adv.br), ficarei feliz em te ajudar.

Conteúdo criado por Dra. Alexsandra Manoel Garcia – Advogada especialista em Direito de Família e Sucessões

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